Saturday, September 30, 2006

Matar saudades em Hong Kong

De Pequim seguimos para Hong Kong, antiga colonia britanica onde fomos encontrar uma outra forma de China. Uma China recente, ocidental apenas 'a superficie, onde o ritmo do dia e' marcado pelo horario de abertura das lojas e centros comerciais. Em Hong Kong parece haver pouco tempo para descansar, entre os sons de buzinas, o zumbido metalico dos electricos de dois andares e em fundo o ruido indistinto do exercito de cartoes de credito em dialogo ininterrupto com as caixas registradoras.

Megalomano centro financeiro e um dos maiores portos comerciais do mundo, Hong Kong nunca dorme. 'A noite, os neons da cidade competem pela atencao de olhares e carteiras, num espectaculo que chega ao seu climax kitsch no show de luzes visivel da baia a bordo do Star Ferry, quando o horizonte de Hong Kong se ilumina ao som de musica classica, os predios rigorosamente sincronizados como instrumentos de orquestra. Todas as luzes da cidade ao servico do turismo, na atraccao principal desta shopping Disneyland.

Um pouco contra vontade, acabamos por ficar uma semana para renovar o visto da China, uma vez que a entrada em Hong Kong e' ainda formalmente considerada uma saida de territorio chines.

Com tempo de sobra e Macau 'a distancia de um ferry, decidimos fazer a viagem, 'a procura de um cheirinho do Portugal que ficou. Em maos chinesas, Macau acelerou a construcao de casinos e preservou o seu centro historico convertido agora num Little Portugal de cartao postal, com igrejas coloniais e calcada portuguesa. Em poucas horas fomos desafiando as baixas expectativas que traziamos, regressando por momentos a casa nos sabores do Restaurante "Boa Mesa", um bife 'a portuguesa com presunto e ovo estrelado, um pastel de nata, finalmente um bom cafe'. Fomos ate' 'a Livraria Portuguesa comprar a Visao e folhear o Expresso, ouvimos falar portugues nas ruas, vimos nomes de ruas e sinais na lingua de Camoes. Apesar de tudo, deixamos Macau divididos entre o prazer de um reencontro e a sensacao de que deixamos uma heranca colonial com indisfarcaveis tra¡cos de decadencia. Se Hong Kong e' uma Manhattan sem a alma de New York, Macau sera' uma nova Las Vegas... sem o charme de Lisboa.

Nestes dias conhecemos tambem portugueses que, em encontros diferentes, acompanharam os nossos dias por Hong Kong. Com o Tony, portugues de raizes sul-africanas e sotaque nortenho que conhecemos por acaso numa escada rolante - sim, numa escada rolante -, descobrimos um outro lado de Hong Kong num passeio ate' 'a ilha de Cheung Chau para comer marisco e escapar da agitacao da cidade. Com o Rodrigo e a Vera, dois viajantes de volta ao mundo como nos com quem nos cruzamos por coincidencia no mesmo hotel, jantamos no animado bairro de Soho e trocamos experiencias de viagem, agradecemos as preciosas dicas sobre o Vietname e o Laos e prometemos reencontrarmo-nos em Lisboa la pelo Natal. Dois encontros casuais que pintaram de tons familiares a nossa passagem por Hong Kong, no conforto de falar portugues, rir do mesmo humor e partilhar todas essas pequenas coisas que nos tornam proximos, irmaos numa terra estranha.

E ao fim de uma semana partimos de novo, ja' um pouco cansados do ritmo frenetico de Hong Kong e Macau, rumo ao interior rural do sul da China. Partimos em busca de paisagens sem arranha-ceus, de uma escala mais humana, sinais de uma vida local que exista por si propria sem os artificialismos dos neons e dos centros comerciais, um mundo afastado destas cidades sem rosto, que têm tudo e nao têm nada.

Vejam as fotos por aqui...

7 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Bom dia meus queridos,foi com muita alegria que trocamos ontem algumas palavras e ficamos aguardando o proximo contacto antes de chegarem à fala com o tio NUNO.
As descrições do vosso blogue referentes a Macau e Hong Kong são fantasticas e provam que o mundo é muito pequeno, não parecendo.
Dejamos a continuaçaão de uma boa estadia no Vietename e Camboja e com um até breve um beijo e um abraço dos vossos avos
G e G

10:46 AM  
Anonymous Anonymous said...

Nem preciso de sair de casa para viajar, vocês encarregam-se de o fazer por nós! :) Mts bjs. Gostei muito de falar com vocês no messenger.

9:02 AM  
Blogger Bluedog said...

Só hoje, dia 2.10, vi esta crónica sobre Macau e HK. Passei por lá pouco tempo antes da integração na RPC - já lá vão uns anos... - e muita coisa (obras) deve ter nascido entretanto. Lembro-me que detestei o ambiente do Casino Lisboa, na altura o único existente em Macau, que passei um dia "flanando" sem grandes motivos de interesse - salvo talvez o templo à Deusa Mah (?) que terá dado origem ao nome de Macau e quanto a HK já então o ritmo era completamente frenético - biz,biz,biz acima de tudo.

Bem, eu só vos queria mandar um beijinho, depois da nossa conversa de ontem que há muito tempo não acontecia.

PS: Blue de Outubro ainda não saíu...

9:06 PM  
Anonymous Anonymous said...

Blue de outubro acabou de sair, e mais uma vezes, PARABÉNS!, pois está demais!!!

Estamos todos tão orgulhosos!!!
Fica para a memória este dia.., esta revista.., a vossa viagem...
E até à vossa volta, só nos resta as saudades.

Mil bjs
Voltem rápido
Inês

5:26 PM  
Anonymous Anonymous said...

QUEM NÃO LÊ A BLUE TRAVEL DE OUTUBRO NÃO SABE O QUE PERDE !!!

SEREIA, COM MUITOS BEIJINHOS

11:30 AM  
Anonymous Anonymous said...

Quem não ler a BLUE TRAVEL de Outubro não sabe o que perde...

Muitos beijinhos de um ser aquático, marinho para ser mais precisa

11:32 AM  
Blogger ROADRUNNER said...

Pena o português ser tão pouco falado em Macau... Para mim que esperava ver muita gente a falar a língua de Camões foi uma grande desilusão. A verdade é que muito poucos naturais de Macau ainda por lá vivem, a grande maioria emigrou e a população actual é composta na sua grande maioria por chineses e muitos tailandeses, malaios, etc.
Saudações!

4:45 PM  

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