Friday, August 11, 2006
Sydney Banzai
A vida é feita de escolhas. Limitados de tempo apesar dos oito meses de viagem, escolhemos reservar três semanas para a Nova Zelândia, deixando apenas três dias para Sydney. A Austrália do tamanho de um continente obrigaria a um esforço maior, talvez em vão, para realmente a conhecermos.Capital não oficial do país, esperámos então que Sydney nos fizesse um resumo da Austrália, esse país ocidental para lá dos orientes, última fronteira das colonizações europeias. No bairro de Rocks, sentimo-nos transportados para o tempo dos primeiros settlers, quando a terra era oferecida do outro lado do mundo a ingleses e irlandeses em busca de uma nova oportunidade, à distância apenas de uma viagem de oito meses de barco. Pelas ruas de Rocks, de arquitectura marcadamente victoriana, quase sentimos o chocalhar dos copos de pints dos primeiros pubs, zaragatas de marinheros em plena rua, o som das velas dos barcos a levantar e toda aquela agitação portuária, quando toda a gente parece acabada de chegar.
Duzentos anos depois, a Austrália parece estar a receber novos visitantes em busca de um sonho. Passeando em Sydney, estranhámos logo no primeiro dia a quantidade de restaurantes de sushi, supermercados coreanos, sinais escritos na indecifrável caligrafia do extremo oriente por toda a parte. Reforçando essa ideia, diariamente nos cruzávamos com chineses, japoneses, coreanos e vietnamitas, em número muito maior do que os pequenos grupos de turistas. Abraçando encontro com o oriente, mergulhámos também no sushi, sashimi e tempura, numa variedade que nunca tínhamos visto, ainda por cima a preços que a moda em Portugal não permite. Nesta Nova Tokyo, o sushi é corrente como os hot dogs em Nova York.
Tentando aproveitar ao máximo o pouco tempo em Sydney, embarcámos em dois autocarros turísticos, o Red Bus e o Blue Bus, que de uma forma flexível nos permitiam conhecer os principais pontos da cidade, entrando e saindo ao nosso ritmo. Com o tempo cinzento e chuvoso o autocarro acabava até por ser um abrigo confortável, vendo a chuva e a vida das ruas através do vidro. Apesar do mau tempo, surpreendeu-nos a quantidade de pessoas a fazer jogging à hora do almoço, trocando os fatos por ténis entre as ruas do centro financeiro ou bem perto no jardim botânico, percorrendo o caminho junto à baía. Descobrimos que esse é um hábito nacional, tendo até a maioria dos escritórios duches ou ginásios que proporcionam as condições para todos poderem correr à hora do almoço, chova ou faça sol. Estes australianos são loucos, diria o Obelix.
No Blue Bus, percorremos a volta maior pelos arredores de Sydney, conhecendo o elegante bairro de Wolomoloo, a zona boémia de Kings Cross, e a mundialmente famosa Bondi Beach. Paraíso de surfistas apesar dos tubarões, Bondi deve o seu nome à palavra aborígene para "rebentar das ondas". Num lugar privilegiado sobre a praia, trocámos o sushi pela experiência de restaurante mais sofisticada da viagem, no Icebergs. Com um interior todo design e daquelas ementas que precisa de longa tradução, estávamos claramente underdressed com os nossos casacões vermelhos e as mochilas às costas. Mas por dentro sentimo-nos Dolce&Gabanna, Saint Tropez e Bica do Sapato.
E assim o tempo voou, aproveitando ao máximo a cidade e os seus inegáveis charmes, que regularmente a colocam no top das melhores cidades para viver no mundo. Bons bares e restaurantes, parques e jardins no coração da cidade, boas praias bem perto e sushi a preços de McDonalds, mais do que razões para convencer muitos a abandonar a terra natal e vir viver para a Austrália.Melhor, só mesmo Lisboa.
Vejam as fotos por aqui ...


9 Comments:
Duvido muito que LX seja melhor, sobretudo sem vocês. ;-)
Bjs e boa continuação de aventura
QUE BEM ME FIZERAM (RE)VISITAR ESSA CIDADE MAGNÍFICA, ONDE TIVE O PREVILÉGIO DE PASSAR UMA SEMANITA NO ANOD PASSADO.BJS MUITOS
Acabei de ver as fotos...bem melhores que as minhas....que saudades...vossas e de Sidney,também, onde "pus o pé" no último continente que me faltava...quando olhar lá de cima, bem posso dizer I WAS THERE, TOO !
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O vosso texto, magnífico, fez-me lembrar os dias que passámos em Sidney, que saudades!!! Estive aí há um ano e tal... as luzes e o fantástico fogo de artifício que marcam a entrada no novo ano, é um dos mais belos espectáculos que pude presenciar nos antípodas. Na passagem de ano 2004/2005, por causa do tsunami, os festejos do reveillon foram bem mais comedidos.
Vão adorar a Nova Zelândia!
Continuação de uma óptima viagem!
Agora que já passaram para lá de Cantão - onde mandam os que lá estão, como no Marão.... - aqui fica um convite de alguém ( NÃO, NÃO SOU EU )que gosta muito de vocês: se nos saír o pleno do euromilhões vamos todos ter convosco. Preparem-se, porques somos muitos...VAI SER UMA FESTA DE ARROMBA !
Entretanto e para irmos organizando a viagem, um bom fim-de-semana em que possamos todos reflectir sobre o assunto e depois apresentar sugestões...
Às vezes é preciso correr mundo para parecebermos quão maravilhosa é Lisboa...
Bjs.
Bilu
Parece que estao a abrir fronteiras a mulheres licenciadas e ferteis entre os 25 e os 35...parece que aí há muita falta.
Se eu fosse solteira e fertil ;) e nao tivesse nada para fazer se calhar ia ver o que se passa na terra do Hugh Jackman e do meu querido Mel Gibson...
Bjs!
cat
entonces...não se passa mais nada???
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