Friday, October 13, 2006
Yangshuo, à descoberta da outra China
Rasgando o silêncio da noite, à velocidade de um night train, vamos cruzando a imensa terra da China em direccao ao Sul. Com as primeiras horas da manhã entramos na provincia de Guangxi e Guilin, uma das suas cidades, recebe-nos por um dia, a caminho de Yangshuo.
À beira do rio Li podíamos respirar tranquilidade a peito aberto, numa paisagem agora mais rural e verdejante onde muitas montanhas e montes recortavam a bruma no céu, insinuando personagens e histórias nos seus contornos escarpados.
Desejosos de nos perdemos nesta magia natural, decidimo-nos por uma viagem de barco até Yangshuo.
Estando mesmo à beira rio, parecia um desejo fácil de concretizar mas na China nada é fácil e muito menos evidente pelo que as quatro horas planeadas a bordo de um barquinho a motor, foram traduzidas em minibus, uma hora de barco, riquexó e ... mais minibus. De mochilas às costas, sob o calor húmido asiático, desesperámos com tantos transbordos e com o facto de termos sido enganados; mas o rio não tinha culpa, e pela hora fotográfica em que nele deslizámos, sabíamos que estavamos num lugar especial.
Com o pôr do sol chegávamos finalmente a Yangshuo; de traço marcadamente oriental, a zona antiga da cidade recebia-nos com o charme da luz crepuscular, desafiando-nos a uma estadia prolongada, que nós, sem saber ainda, iriamos acabar por aceitar.
Espreguiçando-se por entre arrozais e montanhas, Yangshuo não precisa de muitos acessórios para encantar. No entanto, já tendo sido descoberta pelo turismo, esta sob ameaça de ficar doente. Bares com música disco, neons agessivos à noite e comboizinhos a apitar para fazer percursos turisticos competem com uma herança cheia de carácter, que faria as delícias de um filme de época. Um choque para nós, num segundo olhar, e um exemplo de como é tão difícil proteger o passado, sob a histeria de um presente acelerado, que corre para o futuro sem olhar para trás. Yangshuo não sofre contudo de doença crónica pelo que ainda fica o desejo de se conseguir manter antiga, como uma arca que se guarda no sotão, cheia de histórias, segredos e aventuras, que se desvendam a netos e bisnetos em mágicas viagens no tempo; um tesouro que se passa de pais para filhos, que com orgulho protegemos, para não estragar.
Ainda preservados no tempo estão os segredos naturais à volta de Yangshou, pelo que alugámos uma bicicleta e, com um mapa que mais tarde descobrimos não estar à escala, lançamo-nos pelo interior da China, agora à velocidade tranquila do nosso pedalar. Perdemo-nos entre verdes claros, escuros, secos, testemunhando retratos de vida no cultivo do arroz, carregando palha ou conduzindo o gado. Corpos precocemente curvados por uma rotina de esforço físico, alternavam o verde a perder de vista que nos tingia o olhar.
De jangada descemos mais um pouco de rio, fazendo rafting pelos seus desníveis a transbordar de vida, com crianças brincando na água, senhoras lavando a roupa, homens lançando a sorte nas suas redes de pesca. Uma sensação de paz, seguranca, sossego ...
Escalámos ainda o Moon Hill, num encadeado de mais de mil degraus que a cada passo, a merce de um sol abrasador, nos fazia questionar se deviamos continuar ou voltar para trás. Não desistimos; olhando sempre em frente, lá chegámos, ao topo, ao que poderia ser uma varanda dos céus, onde, como que um grão de arroz no meio de um arrozal infinito, nos sentimos mais leves que a brisa envolvente.
Cinco dias de passeio, sem guias e sem escala, onde descobrimos uma outra China, a China marcada pela terra, ritmada pelo andamento do sol, pelos caprichos da chuva. Uma China rural que alternámos com momentos de pausa na zona velha de Yangshuo, onde fomos descobrindo e criando os nossos refúgios com sentir a casa: a varanda do nosso quarto com vista sobre o rio, os almoços no nosso restaurante preferido onde nos viciámos em spring rolls, o gelado de lichias (italian recipe), servido na rua, quando o sol tudo à volta parecia incendiar...
Deixámos Yangshuo à primeira hora da manhã, com o branco das casas já a despertar. De novo de mochila às costas, deixavamos para trás uma cidade bonita mas tambem frágil, assustada talvez com o que vem lá. Uma arca do sotão da China, onde mais do que proteger o que ela tem dentro, estão alguns mais preocupados em usar, estragar sem parar para perceber que estão apenas de passagem e que no final da Historia é a arca que fica.
Viajem connosco por aqui ...
À beira do rio Li podíamos respirar tranquilidade a peito aberto, numa paisagem agora mais rural e verdejante onde muitas montanhas e montes recortavam a bruma no céu, insinuando personagens e histórias nos seus contornos escarpados.
Desejosos de nos perdemos nesta magia natural, decidimo-nos por uma viagem de barco até Yangshuo.
Estando mesmo à beira rio, parecia um desejo fácil de concretizar mas na China nada é fácil e muito menos evidente pelo que as quatro horas planeadas a bordo de um barquinho a motor, foram traduzidas em minibus, uma hora de barco, riquexó e ... mais minibus. De mochilas às costas, sob o calor húmido asiático, desesperámos com tantos transbordos e com o facto de termos sido enganados; mas o rio não tinha culpa, e pela hora fotográfica em que nele deslizámos, sabíamos que estavamos num lugar especial.Com o pôr do sol chegávamos finalmente a Yangshuo; de traço marcadamente oriental, a zona antiga da cidade recebia-nos com o charme da luz crepuscular, desafiando-nos a uma estadia prolongada, que nós, sem saber ainda, iriamos acabar por aceitar.
Espreguiçando-se por entre arrozais e montanhas, Yangshuo não precisa de muitos acessórios para encantar. No entanto, já tendo sido descoberta pelo turismo, esta sob ameaça de ficar doente. Bares com música disco, neons agessivos à noite e comboizinhos a apitar para fazer percursos turisticos competem com uma herança cheia de carácter, que faria as delícias de um filme de época. Um choque para nós, num segundo olhar, e um exemplo de como é tão difícil proteger o passado, sob a histeria de um presente acelerado, que corre para o futuro sem olhar para trás. Yangshuo não sofre contudo de doença crónica pelo que ainda fica o desejo de se conseguir manter antiga, como uma arca que se guarda no sotão, cheia de histórias, segredos e aventuras, que se desvendam a netos e bisnetos em mágicas viagens no tempo; um tesouro que se passa de pais para filhos, que com orgulho protegemos, para não estragar.
Ainda preservados no tempo estão os segredos naturais à volta de Yangshou, pelo que alugámos uma bicicleta e, com um mapa que mais tarde descobrimos não estar à escala, lançamo-nos pelo interior da China, agora à velocidade tranquila do nosso pedalar. Perdemo-nos entre verdes claros, escuros, secos, testemunhando retratos de vida no cultivo do arroz, carregando palha ou conduzindo o gado. Corpos precocemente curvados por uma rotina de esforço físico, alternavam o verde a perder de vista que nos tingia o olhar.De jangada descemos mais um pouco de rio, fazendo rafting pelos seus desníveis a transbordar de vida, com crianças brincando na água, senhoras lavando a roupa, homens lançando a sorte nas suas redes de pesca. Uma sensação de paz, seguranca, sossego ...
Escalámos ainda o Moon Hill, num encadeado de mais de mil degraus que a cada passo, a merce de um sol abrasador, nos fazia questionar se deviamos continuar ou voltar para trás. Não desistimos; olhando sempre em frente, lá chegámos, ao topo, ao que poderia ser uma varanda dos céus, onde, como que um grão de arroz no meio de um arrozal infinito, nos sentimos mais leves que a brisa envolvente.
Cinco dias de passeio, sem guias e sem escala, onde descobrimos uma outra China, a China marcada pela terra, ritmada pelo andamento do sol, pelos caprichos da chuva. Uma China rural que alternámos com momentos de pausa na zona velha de Yangshuo, onde fomos descobrindo e criando os nossos refúgios com sentir a casa: a varanda do nosso quarto com vista sobre o rio, os almoços no nosso restaurante preferido onde nos viciámos em spring rolls, o gelado de lichias (italian recipe), servido na rua, quando o sol tudo à volta parecia incendiar...
Deixámos Yangshuo à primeira hora da manhã, com o branco das casas já a despertar. De novo de mochila às costas, deixavamos para trás uma cidade bonita mas tambem frágil, assustada talvez com o que vem lá. Uma arca do sotão da China, onde mais do que proteger o que ela tem dentro, estão alguns mais preocupados em usar, estragar sem parar para perceber que estão apenas de passagem e que no final da Historia é a arca que fica.Viajem connosco por aqui ...


19 Comments:
Adoramos!!! Devem ser vistas a perder o fim!!! Muitos abraços e beijinhos dos pires!!!
Adorei!
As fotos estão LINDAS! :D
A viagem que nos proporcionam é deslumbrante e enche-nos o dia!
Obrigada.. O fds ficou mto mais rico!!!
Mil bjs
(Vou levar o meu computador para casa para mostrar ao Rodrigo.. vai adorar, tenho a certeza!)
as fotos tão mais ou menos e os textos já tiveram melhor
não gostei
EHEHEHEHHEHHEHEHEHEHHEHHHHHHEHEHEHEHHE
EHEHEHHEHEHEHEHHEHEHEHHE
Tá LIIIIIIIIINDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!
Ando a acompanhar-vos desde o inicio, mas nunca escrevi nada...É estranho escrever para quem~não conhecemos mas mesmo assim hoje decidi a faze-lo!!
Muitos parabens e obrigado por serem um "escape" nas horas vagas!
Beijinho grande.
Sofia, Torres Novas - Portugal
Grande viagem! Gostei muito das descrições e fotos, principalmente da China, onde já estive.
Saudações!
Adorei o texto, as fotos vou ver de seguida para depois ter um pretexto para fazer mais um comment...
Quantas arcas no sótao estão esquecidas e até já nem se conhece o modo de as abrir...e são elas que ficam, são elas que devem ficar, são elas que têm de ficar...
Vamos todos guardá-las nos nossos afectos e ficaremos mais inteiros, mais nós...
Acabei de ver as fotografias. Lindas, é uma alegria muito íntima partilhar convosco as emoções que tão bem nos sugerem. Obrigado !
15.10.06
Adorei a foto do céu na terra. Acho que acabaram de mudar o meu desejo de conhecer a China...
Muitos beijinhos,
Bilú.
este blog foi-me aconselhado. Sem dúvida - mais - uma pequena maravilha da natureza.
Não li as histórias anteriores e espero q não tenham parado por aqui.
meus bro e pincesa!!! Qalquer dia tiram-me a vontade de viajar! parece que somos transportados para os mesmos sítio que descrevem...assim não vale :) Muitos bjs.
Caros Filipa e João
Desta vez vou escrever tipo missiva. Este texto, vou repetir talvez o que os comentários anteriores já disseram, levou-me à China tal como eu a imaginava. Já percebi porque a poesia chinesa é tão lírica, porque desenham e pintam paisagens e animais de uma forma tão bela, porque conseguiram sofrer tanto, desde sempre, e continuar a fazer-nos abrir os olhos de espanto. O meio que os rodeia é de cortar a respiração o texto e as fotografias não desmerecem o tema e vocês parecem identificar-se com o que vêm e sentem. Enfim uma grande jóia, a China, uma pequena pérola, o vosso texto e as imagens.
Obrigado por poder usufruir convosco a harmonia China/Filipa/João.
Um abraço da J
Caros Filipa e João
Desta vez vou escrever tipo missiva. Este texto, vou repetir talvez o que os comentários anteriores já disseram, levou-me à China tal como eu a imaginava. Já percebi porque a poesia chinesa é tão lírica, porque desenham e pintam paisagens e animais de uma forma tão bela, porque conseguiram sofrer tanto, desde sempre, e continuar a fazer-nos abrir os olhos de espanto. O meio que os rodeia é de cortar a respiração o texto e as fotografias não desmerecem o tema e vocês parecem identificar-se com o que vêm e sentem. Enfim uma grande jóia, a China, uma pequena pérola, o vosso texto e as imagens.
Obrigado por poder usufruir convosco a harmonia China/Filipa/João.
Um abraço da J
Que lugar... que paraíso, que paz...
Tem tudo a ver com o nosso dia a dia aqui na empresa....
A tranquilidade das paisagens e o espelho de uma gente, de uma cultura ímpar, simples e que parou no tempo...simplesmente divinal...
E chá?! Já se depararam com alguma plantação? Se pararem por lá não se esqueçam de me trazer umas folhinhas na bagagem...
Até breve, meus amigos!...
Jocas grandes e 1 xi- coração apertado!
AL
Olá queridos!
como me distlaí e esclevi um comentálio no texto anteliol a este, envio-vos este também pala que saibam que estou com voces.Muitos beijos!
p.s:pepa, deixa os monges em paz!
o texto e as fotos estao pleciosos!Palabéns!
constança
O ultimo comentalio ela da constança
outla vez mais beijos!
nao lepalei que já tinha esclito o meu nome.
Mas aploveito para vos dizel que gosto muito de vocês.
Mais uma vez palabéns!
P.s: Pepa, deixa os monges em paz!
Constlança, leixa a plepa em plaz...que estlólia é essa dos mlonges...dlevo estal mluito distlaído...ou mesmo muitlo bullo !
bleijinhos
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