Saturday, June 10, 2006
Descobrindo Tucumán
Com o avançar da viagem vamos confirmando a nossa sensação de que cada viagem é única. Se as paisagens e arquitectura dão o contexto e cenário fotográfico, são os contratempos e pequenas descobertas que fazem as preferências e as memórias dos lugares.
Tucumán foi claramente uma paragem especial. Com a mesma estrutura quadriculada a que nos habituámos na Argentina, a sempre simpática zona pedonal e a praça centralizadora dos mais imponentes edifícios, esta cidade, mais pequena e acolhedora, se à primeira vista nao mostrava nada de particular, acabou por nos conquistar precisamente nas pequenas descobertas.
Aqui, à porta dos Andes e com o frio a convidar a procura de lugares quentes e aconchegantes, descobrimos acidentalmente El Molino, um salão de snooker à antiga, com espaço ainda para o dominó ou xadrez e uma porta aberta às apostas de cavalos, um verdadeiro vício na Argentina.
A curiosidade levou-nos a entrar neste lugar onde nao se sentia a presenca feminina. E rapidamente fomos "descobertos" pela velha guarda e observados com curiosidade no nosso embaraço em perceber como funcionava o esquema: onde ir buscar os tacos, como jogar aquela outra versao de snooker onde não há cheias e listradas mas sim vermelhas e coloridas, dispostas sobre uma precisa ordem, o porquê do quadro, do giz e dos pontos...
Resolvemos arriscar conversa ... e, para nosso contentamento, fomos recebidos com sorrisos amigáveis, quase mesmo paternais. Entre jogos e cafés, passavamos assim uma tarde com alguns dos ícones d'El Molino, todos eles conhecidos por um apodo (alcunha), que em muitos casos vinha do tempo de escola, altura em que tinham firmado a sua amizade. Lacho Sanchez (Nicholas), Paco (Francisco), Abuelo (o fotógrafo), Mumu (o gago Muñoz) e Ponja (o japonês), foram verdadeiros anfitreoes da cidade, com as suas histórias de vida, opinioes políticas e recomendaçoes gastronómicas. Horas bem passadas num lugar quase centenário, dominado por homens que ali se encontram há decadas e que, sob o pretexto do snooker, vao pondo em dia a conversa e sentindo a idade passar.
Com as dicas do Lacho experimentámos a cozinha criola da regiao, no La Corzuela, restaurante de um outro amigo, El Grillo (grilo, por gostar da noite), que nos deliciou com o locro, a humita, a corzuela e as tao variadas empanadas.
Se estivéssemos em Tucumán mais uma semana iríamos com eles celebrar o 25 de Maio, dia da independencia da Argentina, à quinta de um amigo nos arredores, onde a tradicao exigia uma verdadeira comezaina, do melhor que o norte argentino tem para oferecer. Um convinte tentador que tivemos de recusar, pois tinhamos de partir.
Um carro alugado esperava-nos para atravessar os Andes, entre Tucumán e Salta...
Vejam as fotos aqui ...
Tucumán foi claramente uma paragem especial. Com a mesma estrutura quadriculada a que nos habituámos na Argentina, a sempre simpática zona pedonal e a praça centralizadora dos mais imponentes edifícios, esta cidade, mais pequena e acolhedora, se à primeira vista nao mostrava nada de particular, acabou por nos conquistar precisamente nas pequenas descobertas.
Aqui, à porta dos Andes e com o frio a convidar a procura de lugares quentes e aconchegantes, descobrimos acidentalmente El Molino, um salão de snooker à antiga, com espaço ainda para o dominó ou xadrez e uma porta aberta às apostas de cavalos, um verdadeiro vício na Argentina.
A curiosidade levou-nos a entrar neste lugar onde nao se sentia a presenca feminina. E rapidamente fomos "descobertos" pela velha guarda e observados com curiosidade no nosso embaraço em perceber como funcionava o esquema: onde ir buscar os tacos, como jogar aquela outra versao de snooker onde não há cheias e listradas mas sim vermelhas e coloridas, dispostas sobre uma precisa ordem, o porquê do quadro, do giz e dos pontos...
Resolvemos arriscar conversa ... e, para nosso contentamento, fomos recebidos com sorrisos amigáveis, quase mesmo paternais. Entre jogos e cafés, passavamos assim uma tarde com alguns dos ícones d'El Molino, todos eles conhecidos por um apodo (alcunha), que em muitos casos vinha do tempo de escola, altura em que tinham firmado a sua amizade. Lacho Sanchez (Nicholas), Paco (Francisco), Abuelo (o fotógrafo), Mumu (o gago Muñoz) e Ponja (o japonês), foram verdadeiros anfitreoes da cidade, com as suas histórias de vida, opinioes políticas e recomendaçoes gastronómicas. Horas bem passadas num lugar quase centenário, dominado por homens que ali se encontram há decadas e que, sob o pretexto do snooker, vao pondo em dia a conversa e sentindo a idade passar.
Com as dicas do Lacho experimentámos a cozinha criola da regiao, no La Corzuela, restaurante de um outro amigo, El Grillo (grilo, por gostar da noite), que nos deliciou com o locro, a humita, a corzuela e as tao variadas empanadas.
Se estivéssemos em Tucumán mais uma semana iríamos com eles celebrar o 25 de Maio, dia da independencia da Argentina, à quinta de um amigo nos arredores, onde a tradicao exigia uma verdadeira comezaina, do melhor que o norte argentino tem para oferecer. Um convinte tentador que tivemos de recusar, pois tinhamos de partir.
Um carro alugado esperava-nos para atravessar os Andes, entre Tucumán e Salta...
Vejam as fotos aqui ...


3 Comments:
El Molino deve ser um pequeno tesouro, do tempo em que ainda havia tempo e pessoas para conversar, jogar, troçar, amar, viver com elas, simplesmente.
ainda existem lugares destes em Lisboa e Portugal, a questão é descobri-los e tomar o tempo de lá ficar.
Boa continuação de viagem. Ainda bem que Tucúman vos deixou boas recordações...
as fotos da viagem estão fantásticas.
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