Friday, May 12, 2006

Bonito, Ecoturismo S.A.

Depois dos quatro dias fabulosos passados no Pantanal, fomos até Bonito, a auto-denominada Capital do Ecoturismo no interior do Brasil. Tínhamos ouvido falar várias vezes de Bonito e das suas águas cristalinas, grutas de cores inimagináveis, abismos que fazem capa de revistas de viagens. O Abismo de Anhumas e a Flutuação no Rio Prata aguçavam-nos a curiosidade, e já que estávamos tão perto - a apenas cinco horas de autocarro... - resolvemos ir ver com os nossos olhos.

À chegada a Bonito confirmámos o que também já nos tinham dito, a vila não tem nada para ver, é apenas uma base para a exploração das maravilhas naturais que se encontram à volta de Bonito, com uma avenida principal onde se acotovelam agências de viagens, lojas de souvenirs e hoteis baratos, sem um café ou restaurante de charme que lhe dê um pouco de alma e vontade de ficar.

Partimos então no dia seguinte à nossa chegada para a Flutuação do Rio Prata, para nadar livremente entre peixes vários por um percurso de dois quilómetros na segunda água com melhor visibilidade no mundo, superada apenas pelo Golfo de Oman. Levávamos a expectativa tão alta que nos soube a pouco, talvez porque os peixes não tinham as cores exóticas que tínhamos imaginado, ou porque a água no fim do percurso era gelada... ou talvez porque tínhamos vindo do Pantanal. Depois da flutuação, passámos ainda pelo Buraco das Araras, de que nunca tínhamos ouvido falar e que nos supreendeu com a magia de um lugar único: uma formação geológica invulgar, como um canyon circular de 500 metros de diâmetro, para onde todos os fins de tarde as araras vermelhas se recolhem para passar a noite. Passámos ali o fim de tarde, naquela hora dourada em que o sol já baixo reveste a paisagem de cores mais vivas e sombras mais suaves, como convidados especiais assistindo a poucos metros aos rituais cerimonais das araras vermelhas ao pôr-do-sol, observando-as a voar em bandos de uma arvore para outra, chamando-se de um lado a outro entre ecos e respostas, atravessando vagarosamente o desfiladeiro sob a ultima luz do dia. National Geographic.

Saímos apesar de tudo de Bonito com a sensação de que nao estivemos num paraiso ecológico, mas num resort turistico com um parque de atracções bem montado, todo ele na mão de privados que sabem promover este destino pelas agências turísticas por esse mundo fora. Talvez um bom destino para quem seja viciado em ecoturismo e já tenha feito o Pantanal, a Amazonia e a Chapada Diamantina, e não se importe de ver a natureza apresentada como um parque de diversões...

Mas Bonito trouxe-nos tambem dois novos amigos de viagem, que conhecemos na Flutuação e no autocarro para Iguaçú: a Sophie, alemã de 26 anos que nos acompanhou até Buenos Aires, e o
Ricardo, português do Porto que ficou connosco até Puerto Iguazu, e seguiu viagem. Começámos aqui a conhecer alguns dos muitos que como nós decidiram viajar não em trabalho ou negócios, não exactamente em férias, mas numa viagem também ela interior, na vontade de viverem momentos que não se embalam em pacotes ou ofertas promocionais, com o tempo que é preciso para mais do que arranhar a superfície do mundo.

1 Comments:

Blogger Bluedog said...

...com o tempo que é preciso para mais do que arranhar a superfície do mundo...GOSTO ! Muito bom, uma sensibilidade de quem respira a Vida e não só oxigénio...

Neste 13 de Maio, um beijinho muito querido para ambos.

9:03 AM  

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