Esta palavra faz-me sempre pensar sobretudo em mares ( logo a seguir surgem os barcos no meu écran pessoal ), em comboios ( comigo à janela a ver desfilar paisagens, pessoas, pequenos pormenores de vida diária – a criança de bicicleta, o cão no quintal, o tractor a lavrar a terra) e só depois me surgem os aviões, com o ritmo rápido dos aeroportos, o bulício das gentes, uma lágrima furtiva. Autocarros, nem vê-los...
À medida que escrevia, perguntava-me das razões desta sequência e surgiu-me de imediato a minha infância, as minhas viagens quando tinha uma percepção de espanto do que via e sentia.
As viagens de barco entre Angola e Lisboa ( a imensidão do mar, a sua beleza e a sua força, a esteira de espuma, os golfinhos, a gaivota a sugerir a proximidade de terra, a saudação entre barcos que se cruzam em mar alto, os sons profundos das sirenes e os passageiros de cada barco todos na amurada a acenar aos outros com lenços brancos ) uma partida do Lobito – recordo-me vagamente também da restinga, espécie de estreita península arenosa com moradias coloniais que entrava pelo mar dentro – o regresso ao Congo com chegada a Luanda para, a partir daí, fazermos toda a travessia de Angola por estradas, picadas com capim de ambos os lados da estrada e entre os dois trilhos de rodagem, a vergar-se sob o automóvel e a reerguer-se de seguida, as centenas de quilómetros sem se ver ninguém, a maravilha da Natureza, a fragilidade do homem, tão pequenino entre tanta grandeza, simples, telúrica, total.
As savanas de Angola e a sua imensa fauna vistas do comboio (3 dias) que nos levou da fronteira do Congo ao Lobito – caminho de ferro de Benguela, como então era designado - as paragens onde afluíam centenas de pessoas a vender de tudo, a garridice das cores dos trajes, a calma tranquila de um ancião de barba branca que já tinha visto passar muito comboios no percurso da sua vida.
Antes disso, mas era demasiado pequeno para agora me lembrar, a primeira viagem para África, com um Dakota DC 3 – daqueles com uma rodinha traseira no chão - da TAP a viajar de dia e a dormir de noite em Casablanca, Dakar, Freetown e Luanda para finalmente se dirigir para Luluabourg, destino final no então Congo Belga. Diziam-me mais tarde que, farto de tanta hora de avião, a partir de uma certa altura suplicava à minha mãe para irmos de camioneta...
Vendo bem, estas viagens de algum modo foram uma parte importante do barro em que me moldei.
Que teria sido eu sem estas minhas viagens ? Agora parto de novo, convosco...
Para ti, meu querido João, para ti, minha querida Pêpa, que parar para viajar venha a ser mais do que uma recordação, mais do que uma nostalgia, mais do que uma emoção, mais do que um sorriso, mais do que uma rota, mais do que uma esperança.
estou um bocado às aranhas com isto de um blog. sou uma amiga portuguesa que na imposibilidade de correr mundo vai tentar fazê-lo acompanhando a vossa viagem. proponho-me portanto viajar com vocês e comprometo-me a, se gostar da companhia, ir dizendo umas coisinhas. ainda não li todas as vossas impressões de viagem. logo que o faça ficarei mais animada. assina a amiga mistério
...e um dia, decidimos partir para nos entregarmos à paixão de viajar e conhecer o mundo, com tempo para nunca ter pressa, para realmente falar com as pessoas que encontramos, para conhecer um pouco mais de nós. Parar, para viajar. Porque há tanto mundo, e tão pouco tempo...
9 Comments:
Olá Joao, mais um teste a ver se funciona
bjs avô Gastão
Olá,
Desejo muita sorte e que corra tudo pelo melhor. Beijinhos búe grandes e saudações benfiquistas.
Silmir
May the Force be with both of you. bjinhos grandes BD
olá pessoal! Boa Viagem.
bjs
Estou roxa de inveja. Divirtam-se pois é uma aventura única. Vamos falando....(Fu).
Vamos morrer de saudades vossas!!
Sabiam, não sabiam?!!
Bjos R&I
Faltam pr'aí umas 68 horas e força nisso, seus Raposões Lusitanos...não tragam nenhuma camisa de noite à Titi - ( Eça de Queirós, "A relíquia" ).
Vão-me fazer muita falta, mas claro que vos acompanharei cada dia da viagem...Beijo grande BD
PARTIR
Esta palavra faz-me sempre pensar sobretudo em mares ( logo a seguir surgem os barcos no meu écran pessoal ), em comboios ( comigo à janela a ver desfilar paisagens, pessoas, pequenos pormenores de vida diária – a criança de bicicleta, o cão no quintal, o tractor a lavrar a terra) e só depois me surgem os aviões, com o ritmo rápido dos aeroportos, o bulício das gentes, uma lágrima furtiva. Autocarros, nem vê-los...
À medida que escrevia, perguntava-me das razões desta sequência e surgiu-me de imediato a minha infância, as minhas viagens quando tinha uma percepção de espanto do que via e sentia.
As viagens de barco entre Angola e Lisboa ( a imensidão do mar, a sua beleza e a sua força, a esteira de espuma, os golfinhos, a gaivota a sugerir a proximidade de terra, a saudação entre barcos que se cruzam em mar alto, os sons profundos das sirenes e os passageiros de cada barco todos na amurada a acenar aos outros com lenços brancos ) uma partida do Lobito – recordo-me vagamente também da restinga, espécie de estreita península arenosa com moradias coloniais que entrava pelo mar dentro – o regresso ao Congo com chegada a Luanda para, a partir daí, fazermos toda a travessia de Angola por estradas, picadas com capim de ambos os lados da estrada e entre os dois trilhos de rodagem, a vergar-se sob o automóvel e a reerguer-se de seguida, as centenas de quilómetros sem se ver ninguém, a maravilha da Natureza, a fragilidade do homem, tão pequenino entre tanta grandeza, simples, telúrica, total.
As savanas de Angola e a sua imensa fauna vistas do comboio (3 dias) que nos levou da fronteira do Congo ao Lobito – caminho de ferro de Benguela, como então era designado - as paragens onde afluíam centenas de pessoas a vender de tudo, a garridice das cores dos trajes, a calma tranquila de um ancião de barba branca que já tinha visto passar muito comboios no percurso da sua vida.
Antes disso, mas era demasiado pequeno para agora me lembrar, a primeira viagem para África, com um Dakota DC 3 – daqueles com uma rodinha traseira no chão - da TAP a viajar de dia e a dormir de noite em Casablanca, Dakar, Freetown e Luanda para finalmente se dirigir para Luluabourg, destino final no então Congo Belga. Diziam-me mais tarde que, farto de tanta hora de avião, a partir de uma certa altura suplicava à minha mãe para irmos de camioneta...
Vendo bem, estas viagens de algum modo foram uma parte importante do barro em que me moldei.
Que teria sido eu sem estas minhas viagens ? Agora parto de novo, convosco...
Para ti, meu querido João, para ti, minha querida Pêpa, que parar para viajar venha a ser mais do que uma recordação, mais do que uma nostalgia, mais do que uma emoção, mais do que um sorriso, mais do que uma rota, mais do que uma esperança.
Sendo tudo isso, também , que seja acima de tudo
CELEBRAÇÃO DA VIDA !
14 Abril
estou um bocado às aranhas com isto de um blog.
sou uma amiga portuguesa que na imposibilidade de correr mundo vai tentar fazê-lo acompanhando a vossa viagem.
proponho-me portanto viajar com vocês e comprometo-me a, se gostar da companhia, ir dizendo umas coisinhas.
ainda não li todas as vossas impressões de viagem. logo que o faça ficarei mais animada.
assina
a amiga mistério
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