Saturday, May 27, 2006
Dois porteños em Buenos Aires
À chegada a Buenos Aires, sentimo-nos um pouco perdidos, as referências arquitectónicas transportam-nos de novo para o hemisfério norte, algures entre Madrid, Paris e Nova York. Definitivamente, não estamos na América do Sul, estamos talvez numa outra América, bem longe da paisagem tropical do Rio de Janeiro ou do folclore indígena dos países de herança inca.
Buenos Aires é uma cidade cosmopolita, orgulhosa da sua modernidade, uma cidade multifacetada que tem muito mais para oferecer que o tango. O tango faz parte da sua alma, é certo, inclusivamente nos últimos anos teve um rejuvenescimento - depois de alguns anos de declínio - e voltou a estar na moda, cativando as novas gerações para aprender os segredos e rituais desta dança nascida e criada na capital argentina.
Hoje, a cidade é marcada por um outro ritmo, um ritmo pendular entre a agitação frenética do relançado centro financeiro, as tardes vagarosas nos muitos parques e jardins, sempre sobrepovoados de cães, e as noites longas nos inúmeros bares e restaurantes.
As muitas faces de Buenos Aires reconhecemo-las atravessando os diferentes bairros, de identidades muito distintas: Palermo, bairro chic de prédios baixos, lojas design, cafés lounge e restaurantes de charme; a Recoleta, zona residencial para famílias endinheiradas e hotéis de luxo; Puerto Madero, antiga zona portuária recuperada, a fazer lembrar as Docas ou a Expo de Lisboa; San Telmo, bairro antigo onde nasceu o tango quando esta era a zona nobre da cidade, famoso pela sua Feira de Antiguidades aos Domingos; Boca, um pouco à margem ao sul da cidade, com o multi-colorido El Camiñito preservado para a fotografia; e finalmente o Centro, coração financeiro da cidade, zona de escritórios e de todo o tipo de lojas que se possa imaginar.
Entre muitos passeios e lugares, adorámos as tardes e noites passadas em Palermo Soho, percorrendo lojas de roupa ultra-fashion, algumas em mansões antigas recuperadas como a imperdível Nike Store, tomando um submarino ou um iogurte caseiro em cafés de charme como o Mama Racha, ou jantando um fabuloso Crocante de Lomo no acolhedor Lelé di Troya.
No extremo oposto do urban chic, recomendamos também um jantar no Desnível ou no Três Marias em San Telmo, restaurantes simples de parrilla, autêntica experiência porteña com serviço atencioso e ambiente animado de tasca.
Entre a oferta variada de museus, escolhemos ir até ao Malba, museu de arte contemporânea, conhecer um pouco da arte sulamericana de vanguarda, alguma talvez demasiado vanguardista para a compreendermos... Procurando outras formas de cultura, visitámos o histórico Teatro Colon, onde é possível percorrer os bastidores, espreitando os ensaios da orquestra e do bailado, as oficinas de cenografia e o guarda-roupa. Imperdível é também uma visita à livraria Ateneo da calle Santa Fé, situada num antigo Teatro de Ópera reconvertido, para calmamente ler um livro prolongando o almoço pela tarde.
Chegada a altura de nos despedirmos de Buenos Aires, depois de dez dias a percorrer a cidade sem pressas, sentimos a despedida de um lugar onde nos sentimos por momentos de novo em casa, onde fizemos amigos como a Analía e o Guillermo. Muito mais tempo do que temos normalmente para conhecer uma cidade, o que nos permitiu ter horas passadas ao sol, ler calmamente nos cafés, ou mesmo repetir alguns lugares que se tornaram favoritos. Tempo para descascar algumas ideias feitas e vermos a cidade com um olhar mais profundo, para lá dos lugares-comuns do cartão postal, e senti-la talvez agora como uma pequena parte de nós.
Para verem as fotos de Buenos Aires, cliquem aqui.
Buenos Aires é uma cidade cosmopolita, orgulhosa da sua modernidade, uma cidade multifacetada que tem muito mais para oferecer que o tango. O tango faz parte da sua alma, é certo, inclusivamente nos últimos anos teve um rejuvenescimento - depois de alguns anos de declínio - e voltou a estar na moda, cativando as novas gerações para aprender os segredos e rituais desta dança nascida e criada na capital argentina.
Hoje, a cidade é marcada por um outro ritmo, um ritmo pendular entre a agitação frenética do relançado centro financeiro, as tardes vagarosas nos muitos parques e jardins, sempre sobrepovoados de cães, e as noites longas nos inúmeros bares e restaurantes.
As muitas faces de Buenos Aires reconhecemo-las atravessando os diferentes bairros, de identidades muito distintas: Palermo, bairro chic de prédios baixos, lojas design, cafés lounge e restaurantes de charme; a Recoleta, zona residencial para famílias endinheiradas e hotéis de luxo; Puerto Madero, antiga zona portuária recuperada, a fazer lembrar as Docas ou a Expo de Lisboa; San Telmo, bairro antigo onde nasceu o tango quando esta era a zona nobre da cidade, famoso pela sua Feira de Antiguidades aos Domingos; Boca, um pouco à margem ao sul da cidade, com o multi-colorido El Camiñito preservado para a fotografia; e finalmente o Centro, coração financeiro da cidade, zona de escritórios e de todo o tipo de lojas que se possa imaginar.
Entre muitos passeios e lugares, adorámos as tardes e noites passadas em Palermo Soho, percorrendo lojas de roupa ultra-fashion, algumas em mansões antigas recuperadas como a imperdível Nike Store, tomando um submarino ou um iogurte caseiro em cafés de charme como o Mama Racha, ou jantando um fabuloso Crocante de Lomo no acolhedor Lelé di Troya.
No extremo oposto do urban chic, recomendamos também um jantar no Desnível ou no Três Marias em San Telmo, restaurantes simples de parrilla, autêntica experiência porteña com serviço atencioso e ambiente animado de tasca.
Entre a oferta variada de museus, escolhemos ir até ao Malba, museu de arte contemporânea, conhecer um pouco da arte sulamericana de vanguarda, alguma talvez demasiado vanguardista para a compreendermos... Procurando outras formas de cultura, visitámos o histórico Teatro Colon, onde é possível percorrer os bastidores, espreitando os ensaios da orquestra e do bailado, as oficinas de cenografia e o guarda-roupa. Imperdível é também uma visita à livraria Ateneo da calle Santa Fé, situada num antigo Teatro de Ópera reconvertido, para calmamente ler um livro prolongando o almoço pela tarde.
Chegada a altura de nos despedirmos de Buenos Aires, depois de dez dias a percorrer a cidade sem pressas, sentimos a despedida de um lugar onde nos sentimos por momentos de novo em casa, onde fizemos amigos como a Analía e o Guillermo. Muito mais tempo do que temos normalmente para conhecer uma cidade, o que nos permitiu ter horas passadas ao sol, ler calmamente nos cafés, ou mesmo repetir alguns lugares que se tornaram favoritos. Tempo para descascar algumas ideias feitas e vermos a cidade com um olhar mais profundo, para lá dos lugares-comuns do cartão postal, e senti-la talvez agora como uma pequena parte de nós.
Para verem as fotos de Buenos Aires, cliquem aqui.


7 Comments:
AAAAUAUUUUEEEEUUUUAAAAA!!!! SOU O PRIMEIRO!! NEM LI O TEXTO PARA VIR LOGO MANDAR UM POST!! VIM MANDÁ-LO!!!
Parece q se estao a divertir à grande. As fotografias, absolutamente breathtaking, nao criam grandes invejas porque por aqui temos também os nossos encantos... Ainda hoje vi um polícia de bigode no transito a mandar a bela da gosma pela janela... it's precious!!! é por estas q n me vou embora!!
De resto, é Verão. E verão em Portugal é, quer se diga bem ou mal deste nosso país, um autêntico luxo! Ai o verão o verão...
keep walking!
Aquele!
PS: QUEREMOS SABER HISTORIAS GIRAS!! TIPO A DO JOAO A TIRAR UMA VACA DA RUA!!!! (a mim aconteceu-me o contraio... no outro dia tive que mandar uma vaca para a rua..NHO!)
Mais um belo texto, dando a percepção de uma cidade que decerto tem muitas almas.
Olá João e filipa,
Espero que a vossa viagem esteja a correr às mil maravilhas.
Sei que estão a divertir-se e a conhecer muitas coisas, nós por cá continua-mos na luta de LIT, mas felizmente as coisas estão a correr bem!!!
Continuem a divertir-se e fiquem bem.
1 Abraço e 1 Bj
Zé Manuel Santos
Achei óptima ideia colocarem o link das fotos depois do texto! Assim, não dá para nos esquecermos de as ver.
Não dizem nada sobre a segurança, mas gostava de saber se se sentirem à vontade na cidade. Diz-se que Buenos Aires é uma cidade muito perigosa... O que acharam?
Bilu.
Queridos Filipa e João,
O blog de vocês já faz parte do meu quotidiano... Incluí-o nos meus "favoritos" e todos os dias lá vou para ver se há novidades. É tão bom poder viajar junto através dos vossos textos maravilhosos e das fotos... Já estou viciada e reclamo que há muito não é renovado! Por onde andarão agora? Dizem que viajar pelo interior da América Latina é uma grande aventura, muito maior do que viajar pela Ásia. Verdade?Um beijo muito grande e continuem nessa viagem de sonho! Saudades da Cris, nesta Lisboa à 30º
Queridos Filipa e João,
É inevitável vir "visitar-vos" todos os dias. Acho que conseguiram contagiar amigos e conhecidos, e lá andamos nós, no meio da rotina que se instala nos nossos dias de trabalho,...e todos os dias (sem excepção) por aqui passo, em busca de novidades, de outros horizontes, de novas descrições (fabulosas, de verdade!) e das vossas aventuras... Por onde andam agora?! Deixam curiosidade, e até saudade de vos ler...
Um enorme beijinho e que tudo o que vêem e sentem continue a ser tão absolutamente deslumbrante, aos vossos olhos... Queremos mais!
Boa viagem!
Catarina M
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